O que os judeus acreditam? Principais crenças e tradições da fé judaica

Os judeus seguem uma das religiões mais antigas do mundo. Esta tradição rica surgiu há milhares de anos e continua viva hoje com milhões de seguidores em Israel e ao redor do mundo.

O que os judeus acreditam?

Os judeus acreditam em um único Deus (monoteísmo), que é eterno, todo-poderoso e criador do universo. Esta crença fundamental forma a base do judaísmo e orienta todas as suas práticas.

A religião possui textos sagrados como a Torá, que contém os ensinamentos divinos e as leis que os judeus devem seguir.

Os judeus também valorizam muito sua herança e tradição. Eles se consideram parte de um pacto especial com Deus, o que cria um forte senso de identidade e comunidade. Esta conexão não vem por obras, mas pela graça divina, estabelecendo uma relação contínua entre Deus e o povo judeu que perdura há gerações.

Crenças Fundamentais e Práticas do Judaísmo

O judaísmo é uma das religiões monoteístas mais antigas do mundo, com uma rica tradição de crenças e práticas que moldaram sua identidade ao longo de milênios. Esta religião se baseia na crença em um único Deus e na observância de mandamentos divinos estabelecidos em textos sagrados.

O Monoteísmo e a Natureza de Deus

O pilar central do judaísmo é a crença em um Deus único, chamado YHWH, Javé ou Jeová. Esta foi uma das primeiras religiões a adotar o monoteísmo puro, rejeitando a adoração de múltiplas divindades comum em culturas antigas.

Para os judeus, Deus é onipresente (está em todos os lugares), onisciente (sabe tudo) e onipotente (pode tudo). Ele é visto como o criador do universo e de toda a humanidade.

Diferente de algumas religiões, o judaísmo não representa Deus em forma física, seguindo a proibição contra imagens ou ídolos. A relação entre Deus e o povo judeu é entendida como uma aliança especial, onde Deus oferece proteção e providência em troca de fidelidade aos seus mandamentos.

A Torá e os Textos Sagrados

A Torá, também conhecida como Pentateuco, contém os cinco primeiros livros da Bíblia Hebraica: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. É o texto mais sagrado do judaísmo.

Os judeus acreditam que a Torá foi revelada por Deus a Moisés no Monte Sinai. Ela contém as leis, histórias de criação, narrativas dos patriarcas e a libertação do Egito.

O Tanakh é a Bíblia Hebraica completa, incluindo a Torá, os Profetas (Neviim) e os Escritos (Ketuvim).

Outro texto fundamental é o Talmud, que consiste de discussões rabínicas sobre leis judaicas, ética e costumes. Ele serve como guia para a interpretação da Torá e aplicação prática dos mandamentos.

Mitzvot e os Dez Mandamentos

As mitzvot são os mandamentos divinos que orientam a vida judaica. De acordo com a tradição, existem 613 mitzvot na Torá, incluindo regras sobre alimentação, vestimenta, orações e relações comunitárias.

Os Dez Mandamentos, recebidos por Moisés no Monte Sinai, são especialmente importantes. Eles incluem:

  • Adorar somente a Deus
  • Não fazer imagens de adoração
  • Não usar o nome de Deus em vão
  • Guardar o Shabat (dia de descanso)
  • Honrar pai e mãe
  • Não matar
  • Não cometer adultério
  • Não roubar
  • Não dar falso testemunho
  • Não cobiçar o que pertence ao próximo

Seguir as mitzvot não é apenas cumprir regras, mas expressar devoção a Deus e manter a identidade judaica.

As Figuras Centrais da Tradição Judaica

Abraão (também escrito como Abrahão) é considerado o primeiro patriarca e fundador do judaísmo. Sua disponibilidade em seguir Deus estabeleceu a aliança que definiu o povo judeu.

Outros patriarcas importantes incluem Isaac, filho de Abraão, e Jacó (também chamado Israel), cujos doze filhos originaram as doze tribos de Israel.

As matriarcas Sara (esposa de Abraão), Rebeca (esposa de Isaac), Raquel e Léa (esposas de Jacó) também são figuras essenciais que moldaram a história judaica.

Moisés é reverenciado como o maior profeta, responsável por liderar o êxodo do Egito e receber a Torá de Deus. Os profetas, como Isaías, Jeremias e Ezequiel, transmitiram mensagens divinas e defenderam a justiça social.

Os rabinos são mestres e líderes espirituais que interpretam a lei judaica e guiam as comunidades ao longo dos séculos.

Sinagoga, Ritos e Símbolos

A sinagoga é o centro da vida comunitária judaica, funcionando como local de oração, estudo e reuniões sociais. Diferente do antigo Templo de Jerusalém, sinagogas existem em comunidades judaicas pelo mundo todo.

Os principais símbolos do judaísmo incluem:

  • A Menorá: candelabro de sete braços que simboliza a luz divina
  • A Estrela de Davi: símbolo de seis pontas que representa o escudo do Rei Davi
  • O Shofar: chifre de carneiro usado em celebrações importantes

O calendário judaico inclui celebrações como Rosh Hashaná (Ano Novo), Yom Kippur (Dia do Perdão) e Pessach (Páscoa judaica). Cada semana inclui o Shabat, dia de descanso que começa no pôr do sol de sexta-feira e termina no sábado à noite.

A circuncisão masculina e o Bar/Bat Mitzvah (cerimônia de maioridade religiosa) são ritos de passagem fundamentais que marcam a entrada na comunidade.

História e Diáspora Judaica

A história judaica é marcada por deslocamentos, perseguições e uma constante luta pela preservação da identidade cultural e religiosa. Ao longo dos séculos, o povo judeu enfrentou diversos períodos de exílio que moldaram suas tradições e sua visão de mundo.

Êxodo do Egito e a Formação da Nação

A história dos judeus como nação começa com o Êxodo do Egito, por volta do século XIII a.C. Segundo a tradição, Moisés, escolhido por Deus, liderou os hebreus para fora da escravidão no Egito, atravessando o Mar Vermelho em busca da Terra Prometida, Canaã.

Esta jornada é fundamental para a identidade judaica. Durante 40 anos de travessia pelo deserto, os hebreus receberam as leis divinas, incluindo os Dez Mandamentos no Monte Sinai.

Após a morte de Moisés, Josué liderou o povo na conquista de Canaã. Ali estabeleceram as doze tribos de Israel, formando uma nação com leis, cultura e religião próprias baseadas na crença em um único Deus.

O Surgimento de Israel e o Holocausto

Ao longo da história, os judeus enfrentaram inúmeras conquistas e exílios. Em 70 d.C., os romanos destruíram o Segundo Templo de Jerusalém, gerando uma grande dispersão.

Séculos de perseguições culminaram no Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial, quando cerca de seis milhões de judeus foram sistematicamente assassinados pelos nazistas. Esta tragédia fortaleceu o movimento sionista que defendia a criação de um estado judeu.

Em 1948, nasce o Estado de Israel, concretizando o sonho do retorno à terra ancestral. Este foi um marco histórico que proporcionou aos judeus um lar nacional após quase dois mil anos de diáspora.

A Diáspora e Comunidades Judaicas pelo Mundo

A diáspora judaica refere-se à dispersão forçada dos judeus de sua terra natal. Este processo ocorreu em diferentes momentos históricos. Destacamos o exílio babilônico (586 a.C.) e a expulsão pelos romanos.

Ao longo dos séculos, formaram-se diversas comunidades judaicas pelo mundo. Os asquenazes estabeleceram-se principalmente na Europa Central e Oriental. Enquanto isso, os sefarditas se concentraram na Península Ibérica e, posteriormente, no Norte da África e Oriente Médio.

Hoje, grandes comunidades judaicas existem nos Estados Unidos, Europa, América Latina e, claro, em Israel. Apesar das diferenças culturais desenvolvidas durante a diáspora, mantêm sua identidade. Fazem isso através do uso do hebraico nas orações, celebração das festas religiosas e preservação de suas tradições.