No ambiente de trabalho estamos sujeitos a lidar com pessoas de diferentes culturas, hábitos e crenças. Mas muitas vezes, pelo medo do desemprego, acabamos nos sujeitando a situações ofensivas e constrangedoras que ferem a nossa integridade física e emocional, o que caracteriza o assédio moral e o trabalho abusivo.
Geralmente, antes de entrar em um empresa ou corporativa, devemos procurar obter algumas informações acerca daquele ambiente, por meio, por exemplo, do seu employer branding, analisando os ideais e metas daquela instituição e relacionando com nossos próprios valores e objetivos. Mas isso não necessariamente garante um bom relacionamento na esfera empresarial.
Nesses casos, a permanência no local de trabalho torna-se um desafio capaz de prejudicar não apenas a produtividade mas também a saúde e até mesmo as relações familiares, comprometendo a identidade e a dignidade do profissional.
Tal cenário, traduz um intuito por parte dos outros funcionários ou superiores em fazê-lo abdicar do cargo, transformando o espaço institucional num local de tortura psicológica e vexação. E por isso, tais posturas devem ser combatidas e repreendidas.
O que é um trabalho abusivo?
O relacionamento abusivo dentro do ambiente de trabalho, também conhecido como assédio moral, é um tipo de assédio caracterizado por humilhações, exposições, ofensas ou qualquer outro tipo de conduta repetitiva que atinja a moral, a integridade física e psíquica do indivíduo.
São exemplos de atitudes que caracterizam o assédio: contestar a autonomia do colaborador, espalhar rumores e boatos de cunho ofensivo, delegar tarefas inexecutáveis, instigar intriga entre os funcionários ou, ainda, alterar funções e cargos sem motivos plausíveis.
A legislação brasileira define o assédio moral como qualquer postura praticada pelo empregador ou pelos colegas de trabalho que pretende tornar o ambiente empresarial insuportável para o trabalhador, a ponto de provocar nele danos de caráter emocional e a desistência do cargo.
Trata-se, portanto, de um problema no âmbito profissional que sempre existiu, mas que tem tido maior relevância no cenário atual tendo em vista a sua gravidade e os males provocados.

Como identificá-lo?
O assédio é um comportamento mais comumente encontrado nas relações hierárquicas com traços de autoritarismo, onde é possível constatar o uso indevido do poder com cobranças excessivas, comentários ofensivos e desestimulantes, o não reconhecimento dos esforços, dentre outros, com o intento de provocar sofrimento e abdicação.
Quando ocorre de um superior para com um subordinado, denomina-se assédio moral descendente.
Além das relações de hierarquia, esse tipo de comportamento também pode ocorrer entre colegas de uma mesma corporação, tipificando o assédio horizontal, com brincadeiras e piadas desrespeitosas, atitudes de menosprezo, exclusão ou até mesmo boicotagem.
Vale lembrar, ainda, que existe o assédio moral do tipo vertical onde os empregados ou subordinados praticam os mesmos atos com seu superior a fim de lesá-lo.
A permanência em um ambiente degradante como esse, pode provocar sintomas depressivos, exaustão, pressão alta, ansiedade, agressividade, síndrome do pânico, dores generalizadas, problemas familiares e, em casos mais graves, até mesmo suicídio.
Além desses sintomas, o despreparo para lidar com essas situações ou a falta de inteligência emocional potencializam os efeitos nocivos à saúde física e mental.
Algumas maneiras de deixar esse local
Tendo em vista os incontáveis danos à saúde mental e física, provocados pelas relações abusivas no ambiente de trabalho, muitas vezes a melhor opção, ainda que dificil, é deixar este local.
Vale ressaltar que cada pessoa é única, bem como seu caso, logo faz-se necessário analisar cada um dos seguintes métodos de acordo com a sua realidade de forma a adotá-los corretamente. Além disso, alguns meios carecem a organização de provas com detalhes acerca de datas, locais, horários e pessoas envolvidas com ocorrido.
- Estabeleça Limites
Procure o superior ou integrante de quem tem sofrido os ataques a fim de estabelecer um diálogo firme e direto acerca do que tem ocorrido, estabelecendo seus limites, pontuando os erros e assumindo uma postura de inflexibilidade mediante os abusos.
Nesses casos, é válido buscar o apoio de colegas de trabalho, principalmente caso tenham testemunhado o ocorrido ou que tenham vivenciado a mesma situação
- Procure o setor de Recursos Humanos da sua empresa
O RH, como é conhecido, tem como função promover ações e políticas que visem conservar o bom convívio entre os colaboradores bem como a organização institucional.
Logo, levar suas queixas a este setor permite o estabelecimento de uma punição ou advertência para os envolvidos com interesse de coibir tais comportamentos, preservando o respeito e cooperação dentro da empresa.
- Denuncie
O assédio moral, ainda que sofra com as dificuldades de comprovação, é um crime previsto pelo Código Penal Brasileiro, podendo ser denunciado diretamente ao Ministério Público, ao sindicato ou outro órgão representativo da sua categoria, sendo o assédio enquadrado como crime de calúnia ou até mesmo injúria.
Além disso, o Código Civil prevê a possibilidade de indenizações materiais ou morais para vítimas de assédio moral.
- Procure a justiça
Em caso de persistência ou inércia dos outros meios, existe ainda a possibilidade de ingresso com ação judicial com intuito de reparação dos danos morais provocados.
Por se tratar de um problema sério, ser vítima desse tipo de assédio pode exigir ainda o auxílio profissional como um psicólogo ou psiquiatra para enfrentar e superar tais situações.
Não tenha vergonha de procurar ajuda, o assédio é um mal que atinge toda a sociedade e se submeter a esse tipo de injustiça pode lhe trazer danos muito graves. Priorize a sua saúde física e mental.
